Crescimento vertical urbano foi tema de discussão no INCITI

Por: Fernando Castro | 20/03/18 9:42 PM

O evento debateu variados aspectos do crescimento urbano na praia de Boa Viagem

Por Fernando Castro

‘’O impacto da verticalização em áreas edificadas sobre as zonas costeiras’’ foi o tema do seminário que aconteceu na tarde da última quinta-feira (15), na sede do INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, no Bairro do Recife. O momento foi idealizado por Mateus Magarotto, Doutor em Geografia e Planejamento Territorial, que contou com o apoio do Laboratório de Ecologia e Gerenciamento de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos (LEGECE) e do Departamento de Oceanografia, ambos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em conjunto com o CICS.NOVA, Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A primeira parte do seminário foi iniciada com a apresentação da professora e doutora Monica Ferreira da Costa, do Departamento de Oceanografia da UFPE. Monica identificou como a verticalização interfere no ambiente da praia e de que forma isso altera a qualidade do ecossistema em Boa Viagem. Segundo ela, é preciso investir em educação ambiental para a população, para que haja uma maior interação entre as pessoas e a região costeira. ‘’Educação ambiental não é só falar da Amazônia, educação ambiental é saber se relacionar com o lugar em que você vive’’, afirmou.

Maria Christina Barbosa e Teresa Araújo, que também fazem parte do Departamento de Oceanografia da UFPE, reforçaram em suas apresentações os impactos causados na praia de Boa Viagem pelo crescimento urbano. A pesquisa de doutorado desenvolvida por Maria Christina analisou a viabilidade da implantação da Unidade de Conservação da paisagem de Boa Viagem e propôs ações alternativas de ordenamento, visando promover o desenvolvimento sustentável do local. Já Teresa, fez uma análise da área costeira através da pesquisa ‘’Erosão costeira na Região Metropolitana do Recife’’ e, em sua fala, desmentiu o fato de que o mar está avançando. De acordo com ela, “o crescimento urbano é que está avançando e invadindo o espaço do mar”.

A doutora em História Social, Rita de Cássia, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), identificou o histórico da praia de Boa Viagem através de imagens de jornais e revistas de décadas passadas e trouxe à discussão a questão da praia como um espaço público, questionando a verticalização dos edifícios sobre as zonas costeiras. ‘’Eu acho que isso é algo que deve estar presente sempre nas discussões. Aqui no Brasil a gente lida muito com o conflito entre o público e o privado, isso se faz presente durante toda a nossa história’’, afirmou Rita.

Orla de Boa Viagem (Foto: Divulgação)

No segundo momento do workshop, Mateus Magarotto iniciou a apresentação divulgando os resultados obtidos por sua tese de doutorado, defendida em janeiro de 2017, e que inspirou o evento. A tese consistiu em uma análise comparada do crescimento vertical urbano entre duas áreas costeiras, a primeira na praia de Boa Viagem, na cidade do Recife, e a outra na praia da Rocha, na cidade de Portimão, em Portugal. De acordo com Matheus, a verticalização urbana ao longo dos anos é uma semelhança entre as duas praias.

Além do crescimento vertical urbano da praia de Boa Viagem, o evento debateu os diversos problemas que afetam os ecossistemas costeiros, através dos diferentes estudos realizados pelos pesquisadores presentes. “O crescimento urbano observado na ótica dos sistemas de informação geográfica em terceira dimensão é considerado, na atualidade, como uma das abordagens de modelação das áreas edificadas mais promissoras para a interpretação e representação da complexidade espaço-tempo das transformações e do crescimento urbano sobre os ecossistemas marinhos”, comentou Mateus.

Henrique dos Santos, geógrafo e representante do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira (ICPS), apresentou ao público a técnica de perfilamento a laser da cidade, tecnologia moderna utilizada em áreas como arquitetura, oceanografia e geografia. Por fim, a discussão foi encerrada, com Gleidson Dantas, representante da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem), que identificou, com detalhes, a cartografia do estado de Pernambuco.