Diálogos críticos – um resultado

Por: Maíra Brandão | 25/09/15 12:59 AM

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por Ricardo Ruiz

Ao ler a Nova Agenda Urbana proposta pela UN-Habitat, pode-se levantar críticas sobre a linguagem do discurso – paternalista e com termos hegemônicos como ‘abraço’, ‘patrimônio’ ou ‘ajudar’ – ou mesmo sobre algum possível turvo significado da Nova Agenda para apoiar o desenvolvimento local, sem saber o grau real e a esfera de atuação da agência nessa assistência.

Mas para pensar e desenvolver políticas em uma escala global é fundamental reconhecermos as armadilhas que a linguagem pode nos impor. E sabemos claramente que Agenda Global é, em alguma escala, usada em governos corruptos ou semi-ditadores como uma ferramenta para subjugar a democracia, a cultura e a economia local. Ambos são riscos que podemos escolher tomar ou não.

Para tentar participar da discussão de prescrições e metas para esta agenda, um laboratório sobre o tema chamado Critical Dialogue Series – Urbanizações Peculiares foi realizada no Spreefeld Haus, Berlim, durante uma semana, na primeira quinzena de Setembro de 2015. O objetivo foi reunir pensadores de diferentes contextos e lugares do mundo para fazer uma contribuição valiosa no sentido de uma agenda urbana mais pé-no-chão.

Marcos teóricos não convencionais foram usados para questionar o quão culturalmente diferente são/devem ser os processos de urbanização e como isso impacta sobre o papel e os limites de importação/exportação de conhecimento, tecnologia e padrões de urbanização entre as diferentes regiões do mundo. Mais ainda: quais padrões podem ser compartilhados (importados) e quais não podem? E que influência diferentes urbanizações têm sobre os fluxos de recursos resultantes das cidades?

Como resultado – entre muitos outros levantados durante esta experiência alemã, é necessário ter em mente durante o desenvolvimento de uma Nova Agenda Urbana:

  • Claramente reconhecer que existe uma realidade existente no terreno;
  • Reconhecer que as cidades são financiadas por múltiplos atores;
  • Reconhecer diferentes padrões de urbanização, materiais, arquitetura vernacular e processo vocal / oral;
  • Vários atores são interessados ​​em construir o desenvolvimento urbano, e que o governo e a sociedade civil não são homogêneos.

Também é importante notar alguma base de procedimento para essa agenda, e alguma perspectiva sobre as ações de pequena escala, como descrito:

  • Apoiar a sociedade civil no acesso aos serviços sociais, de habitação, informação, comida e terra;
  • Criar interfaces adequadas para os processos formais e informais por meio de organizações de base e governos locais;
  • Fortalecer e fomentar conhecimentos e valores locais.

Estes são apenas alguns exemplos e formatos sobre como podemos pensar e contribuir para uma Nova Agenda Urbana mundial – sob uma perspectiva do local.

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by Ricardo Ruiz

When reading the New Urban Agenda proposed by UN-Habitat, one can rises critics about the language of the discourse – patronizing paternalist and hegemonic terms like ‘embracing’, ‘equity’ or ‘assist’ – or even to some possible blurred meanings of the New Agenda to assist local development, without knowing the real degree and sphere of the agency for assistance.

But to think – and develop policies – on a global scale, it’s fundamental to perceive the traps that language can impose on us. And we clearly know that some Global Agenda are, in some scale, used in corrupted and semi-dictators governments as a tool to subdue local culture and economies. Both of them are risks that we can choose to take or not.

To try and join the discussion of prescriptions and goals, a laboratory on the issue called Critical Dialogue Series – Different Urbanization was held at Spreefeld Haus, Berlin, during a week at the first half of September, 2015. The aim was to gather thinkers from different backgrounds and world places to make a valuable contribution towards a more on-the-ground Urban Agenda.

Unconventional theoretical frames were used to question how ‘culturally different’ the processes of urbanization are/should be and how it impacts on the role and limits of import/export of knowledge, technology and urbanization patterns between different regions of the world. Further more: which approaches can be shared (imported) and which cannot? And what influence do ‘different urbanization’ have on the resulting urban resource flows?

As an outcome – in between many others that raised during these German experience, one should have in mind during the development of a New Urban Agenda:

  • Clearly acknowledge that there is an existing reality on the ground;
  • Acknowledge that cities are financed by multiple actors;
  • Acknowledge different patterns of urbanization, materials, vernacular architecture and vocal/oral process;
  • Several actors + stakeholders construct the urban development, and that Government and civil society are not homogeneous.

It is also important to notice some basis of procedure for this agenda, and some perspective on small scale actions, as described:

  • Support civil society in accessing services, housing, information, food and land;
  • Create proper interface for formal and informal processes through grassroots organizations and local governments;
  • Foster community + local knowledge and values.

These are just a few examples and formats on how we can think and contribute to a New Urban Agenda in a global – tackling the local – perspective.

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