Diálogos Críticos

Por: | 21/09/15 11:56 AM

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Foto: Cassimiano | flickr.com/photos/cassimano/ | Esta imagem está sob uma licença Creative Commons CC BY 2.0

Caro Habitat III,
Em Visões Urbanas 3 – Visões para Habitat III (2013) presume-se que “Um planejamento urbano revigorado irá otimizar economias de aglomeração, promover densidade sustentável, promover a diversidade social e usos variados da terra, fomentar a inclusão, maximizar a heterogeneidade, promover espaços públicos habitáveis e ruas vibrantes, e, assim, tornar a cidade mais funcional, com manutenção dos equilíbrios ambientais “.

Ao refletir sobre estes objetivos, é importante considerar os meios pelos quais podemos realizá-los e, a partir de nossa perspectiva, acreditamos que as expressões de tradições culturais locais poderiam desempenhar um papel vital. Dito isto, não podemos nos enganar, e pensar nessas expressões culturais como uma economia criativa e se concentrar em um ponto de vista comercial de algo que mal pode ser considerado cultura.

Acreditamos que as tradições locais são a única fundação estável possível para a criação e manutenção de espaços de identidade, a fim de construir cidades verdadeiramente inclusivas. E, com isso em mente, sugerimos mecanismos para a preservação e promoção das tradições e culturas locais, com políticas e investimentos específicos, tendo em conta os vastos aspectos da cultura e suas diversas formas de expressão: desde o cultivo de alimentos, passando por dados abertos, novas tecnologias ou música popular.

Sabemos que existem muitos outros aspectos importantes em um planejamento de uma nova agenda para o desenvolvimento urbano, mas incentivar as afeições das pessoas nos seus territórios é fundamental para tornar cidadãos em sujeitos participativos na construção das cidades que precisamos.

Como Rebecca Solnit disse, “a cultura não é apenas benéfica para as cidades; num sentido mais profundo, é o que as cidades são.” Neste sentido caminha nossa pesquisa na última década, em diferentes níveis de órgãos federais, estaduais e municipais, coletivos independentes, universidades, grupos de direitos civis e em parceria com diversos produtores culturais de todo o mundo, que crêem na criatividade em manter a memória de seus antepassados como parte do desenvolvimento do dia-a-dia da comunidade.
Com grande satisfação,

Ricardo Ruiz

 

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Foto: Cassimiano | flickr.com/photos/cassimano/ | Esta imagem está sob uma licença Creative Commons CC BY 2.0

Dear Habitat III,

On Urban Visions 3 – Visions for Habitat III (2013) it is assumed that “A reinvigorated urban planning will optimise economies of agglomeration, promote sustainable density, encourage social diversity and mixed-land uses, foster inclusiveness, maximise heterogeneity, promote liveable public spaces and vibrant streets, and thus make the city more functional, maintaining environmental balances.”

While meditating on these objectives, it is important to consider the means by which we can accomplish them and, from our perspective, we believe that cultural expressions and traditions could play a vital role. That being said, we cannot fool ourselves into thinking of these cultural expressions as an creative economy and focus on a commercial perspective of what can be barely considered culture.

We believe that local traditions are the only possible stable foundation for the creation and maintenance of identity spaces in order to construct truly inclusive cities. And, with this in mind, we suggest mechanisms for the preservation and fostering of local traditions and cultures, with specific policies and investments, taking into account the vast aspects of culture and its many forms of expression: from growing your own food, open data technologies or folk music.

We know there are many other important aspects on an urban development planning, but encouraging people’s affections within their territories is a fundamental part on making citizens take part in building the cities we need.

As Rebecca Solnit said, “culture is not only beneficial to cities; in a deeper sense, it’s what cities are for.” That’s what we’ve been working towards in the last decade in different levels of federal, state and municipal governors, independent collectives, universities, civil rights groups and with many cultural producers around the world, that believe on creatively keeping the memory of their ancestors as part of the day-to-day development of the community.

Best,

Ricardo Ruiz

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