Como hackear as escolas?

Por: Maíra Brandão | 27/11/15 5:42 PM

Público participou ativamente do debate. Foto: Maria Alice Lemoine

Público participou ativamente do debate. Foto: Maria Alice Lemoine

Por Ângela Valpôrto

Martha Njeri e o Mestre Joab Jó conduziram os participantes do debate em seus pensamentos sobre a forma como a educação é levada no Quênia e no Brasil. Apesar de distantes, os dois países têm muito em comum nos métodos e mecanismos em que a educação formal é administrada pelo poder público. O descaso e o mau uso da verba pública foram dois pontos citados por ambos.

Martha Njeri é uma jovem queniana que está lutando para mudar a educação. Fundadora da Nairobi Dev School, ela acredita que o ensino independente é tão importante quanto o tradicional e que ele é a chave para hackear as escolas. “Há tantos problemas nas escolas do Quênia que levaria muito tempo para resolvê-los de uma forma tradicional”, pontuou. Para Martha, o hacking acontece quando as pessoas se unem para trocar conhecimento independentemente da existência de um espaço fixo ou físico. Em Nairóbi, as habilidades aprendidas com familiares como a olaria, produzem mais empregos do que as habilidades aprendidas nas escolas. Por isso que, no contexto atual do Quênia, o papel da escola tradicional não é tão efetivo.

Já o Mestre Joab Jó acredita que abordar o aprendizado “fora da escola” com esse termo é bastante contraditório porque “o espaço físico da escola é o único lugar onde o conhecimento deve ser produzido”. De acordo com ele, a visão de mundo europeia presente na escola tradicional coloniza o pensamento, porque reforça a ideia de hierarquia. “A escola está ligada à ideia de catequização”, concluiu.

Além de levantar questões sobre o ensino tradicional, o Mestre também trouxe reflexões importantes sobre a influência da escola na construção de uma sociedade hierárquica e segregadora. Desde pequenas, as crianças aprendem sobre racismo, violência, cinismo e arrogância dentro das tradicionais instituições de ensino e acabam levando esse comportamento para a vida. Isso só confirma a teoria de que as coisas não mudam, apenas se sofisticam. As mesmas lutas acontecem desde os primórdios da realidade. A diferença é que a tecnologia se desenvolveu de uma forma que potencializou os efeitos das ações realizadas.

A manutenção da ordem sempre foi um fator decisivo para a sociedade. Para o Mestre, a educação tradicional é apenas mais uma forma de mantê-la: “Quem tem o poder pode até possibilitar a existência de movimentos contrários às suas ideologias para garantir que nada saia do controle”. Por fim, o Mestre Joab Jó questionou a existência do UTC Recife e deixou a seguinte pergunta: “que tipo movimento é esse aqui?”.