Cineclube “Ocupar espaços e telas” acontece dia 02 de agosto

Por: Maíra Brandão | 26/07/18 10:12 PM

Sete curtas-metragens serão exibidos, seguido de um debate

O INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, grupo transdisciplinar de pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), recebe o cineclube “Ocupar Espaços e Telas”, às 19h do dia 02 de agosto. Na ocasião serão exibidos sete curtas-metragens filmados no Brasil (Recife), na Argentina (Córdoba) e na França (Paris e Notre-Dame-des-Landes), cada um apresentando uma abordagem cinematográfica distinta para pensar uma retomada possível de espaços atravessados por opressões políticas, de 2011 até hoje. Após a exibição dos filmes, haverá debate com o público.

A realização da sessão, que conta com o apoio do Institut Français e do Consulado Geral da França em Recife para o Nordeste, foi idealizada pela pesquisadora francesa Claire Allouche, que é doutoranda em estudos cinematográficos na Universidade Paris 8. Sua tese, iniciada em 2017, estuda a produção de lugares fora dos eixos geográficos hegemônicos no cinema argentino e brasileiro contemporâneo.

O cineclube foi pensado a fim de provocar os espectadores sobre em que medida o uso performático das imagens em movimento por esses “cineastas moradores” pode ser ativamente solidário de uma reapropriação e ressignificação espaciais. Como pensar o corpo de quem filma como ator urbano, produtor de um espaço tão próprio quanto coletivo? Nesses sete curtas-metragens, o questionamento sobre jeitos de ocupar espaços públicos ameaçados é também uma exploração de formas artísticas híbridas, baseadas numa preocupação maior pela montagem. A pergunta não é tanto “como reinventar lugares nossos?”, num sentido urbanisticamente e artisticamente utópico, mas mais “como nos ligar de forma potente com lugares que devem continuar sendo nossos”.

Quis o acaso que a trajetória do primeiro filme ao último, de [projetotorresgemeas], que desmonta a ilusão do Novo Recife, a Vent d’ouest, que desvela as violências policiais sobre uma “zona a defender” (ZAD), uma trajetória de um experimento firmado por mais de vinte cineastas a um falso curta-metragem de Jean-Luc Godard, verdadeiro compromisso de um grupo anônimo francês.

Nessa curva coletiva, serão exibidos cinco filmes onde o cineasta está presente e toma posição no espaço do filme com sua voz e/ou seu corpo. Em A copa do mundo no Recife e Nunca é noite no mapa, Kleber Mendonça Filho e Ernesto de Carvalho criam imagens para revelar uma situação de tensão, respectivamente contra a midiatização alienada do futebol e a hegemonia cega do Google Street View. Em Fotograma, a partir de um plano que foi usado num filme anterior, Caio Zatti e Luis Henrique Leal transformam uma imagem congelada numa genealogia da ocupação das ruas. Em Merodeo, Fernando Martín Restelli começa como espectador de violências policiais arbitrárias e se torna no caminho experimentador de uma liberdade irreverente no espaço público. Em Le passant integral, Léo Richard retrata com humor a carreira de um figurante de cinema, numa época na qual a multidão se tornou digitalizada e onde as ações repressivas da polícia são programadas em um software. Nesses dois últimos, a figura em frente da câmera, a figura que olha para o espectador, se tornou um rosto camuflado, uma presença indefinida. Talvez seja essa, a maior urgência desses sete filmes que, sem ser “militantes” numa aceitação clássica da palavra, trabalham para que os “espect-atores” resistam à tentação de fechar os olhos sobre os arredores como inesgotáveis horizontes de possibilidades.

Serviço:
Cineclube INCITI – Ocupar Espaços e Telas
Curadoria: Claire Allouche*
Quando: Quinta-feira, 2 de Agosto 2018, às 19h
Onde: INCITI/UFPE que fica na Rua do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife, Recife – PE.
Entrada livre

Programa:
1. [projetotorresgemeas] (2011), Coletivo (Brasil)/ 20’
2. A copa do mundo no Recife (2015) de Kleber Mendonça Filho (Brasil) / 15’
3. Fotograma (2015) de Caio Zatti et Luis Henrique Leal (Brasil) / 9’
4. Nunca é noite no mapa (2016) de Ernesto de Carvalho (Brasil) / 6’
5. Merodeo (2016) de Fernando Martín Restelli (Argentina) / 14’
6. Le passant intégral (2017) de Léo Richard / 12’
7. Vent d’ouest (2018) de Anônimo (estreou com nome de Jean-Luc Godard) / 5’
Duração total : 81 minutos.

*Claire Allouche nasceu em Saint-Denis, na França. Ela é doutoranda em estudos cinematográficos na Universidade Paris 8, sob a orientação de Dork Zabunyan e Thierry Roche. Sua tese, iniciada em 2017, estuda a produção de lugares fora dos eixos geográficos hegemônicos no cinema argentino e brasileiro contemporâneo. Ela realiza uma pesquisa no Recife graças ao apoio do REFEB (Rede Francesa de Estudos Brasileiros). Se formou em cinema em Ciné-Sup (Nantes), na ENS Ulm, em Paris 8 e na UNSAM (Argentina) e também em Ciências Sociais do Espaço na EHESS (Paris). Colabora com a programação do Festival des 3 Continents em Nantes e escreve pontualmente em revistas de cinema francesas, como Trafic e CinétrENS.