A Cidade que Precisamos: Princípios para um novo paradigma urbano

Por: | 23/09/15 8:03 PM

[:pt]Como planejamos, construímos e administramos nossas cidades pode determinar o rumo dos nossos esforços para o desenvolvimento de um amanhã sustentável e harmônico. Cidades bem planejadas dão a seus residentes oportunidades para vidas mais saudáveis, seguras e produtivas. Cidades bem desenhadas dão às nações melhores oportunidades para promover inclusão social, resiliência e prosperidade. Pensando nisso, a ONU-Habitat estabelece nove princípios para a criação de um novo paradigma urbano, que juntos, traçam a ideia dessa cidade ideal, a cidade que precisamos:

A cidade que precisamos é socialmente inclusiva. Ela tem espaços de expressão social e cultural para todos os segmentos e idades da população. Ela elimina todas as formas físicas e espaciais de segregação e exclusão.

A cidade que precisamos é bem planejada, boa para caminhar e transitar. É possível ir de casa à escola apenas andando. Os escritórios ficam próximos, a apenas algumas paradas de transporte público. Assim como o comércio para necessidades diárias, que fica próximo as zonas residenciais e terminais. Há espaços abertos para lazer próximos das escolas, do trabalho e das casas.

A cidade que precisamos é sustentável, ela se regenera. Ela é desenhada para ser resiliente, ou seja, eficiente em energia, com baixa emissão de carbono, e usar cada vez mais fontes renováveis de energia. Ela repõe os recursos que consome, e recicla e reutiliza seus resíduos. Ela usa água, terra e energia de maneira coordenada, em harmonia com seus arredores, apoiando a agricultura urbana e das regiões metropolitanas.

A cidade que precisamos tem economia vibrante e inclusiva. Ela encoraja e alimenta o desenvolvimento da economia local, do pequeno empreendedor às grandes corporações. Ela propõe uma única plataforma para licenciamentos e outros serviços administrativos. Ela reconhece e protege as necessidades específicas do setor informal da economia, na forma de desenvolvimento econômico, regras e estratégias.

A cidade que precisamos tem identidade cultural, é única e se reconhece. Ela entende a cultura como a chave da dignidade humana e da sustentabilidade. Ela envolve os atores culturais para revelar e fortalecer o potencial criativo de todos os cidadãos. Ela fortalece os laços entre a cidade e seus arredores.

A cidade que precisamos é segura. É receptiva dia e noite, convidando todas as pessoas para se utilizarem de ruas, parques, e circularem sem medo. Nela, há diálogo frequente e se busca consenso entre os serviços públicos – a polícia, os bombeiros, a saúde pública, e os serviços ambientais – e os residentes dos bairros e grupos comunitários.

A cidade que precisamos é saudável. Os parques e praças da cidade são locais de paz e tranquilidade, e abrigam a flora e a fauna local, pensando na biodiversidade da cidade. Todas as entidades públicas e privadas que prestam serviços públicos (água, coleta de lixo, energia e transporte) trabalham junto com os residentes da cidade, e tem como indicadores de sucesso as preocupações com a saúde pública e ambiental da cidade.

A cidade que precisamos é economicamente acessível e igualitária. Terra, infraestrutura, teto, e serviços básicos são planejados com as populações de baixa rende em mente. Serviços públicos são pensados junto com as comunidades a que prestam serviços, considerando especificamente as necessidades de mulheres, jovens, e das populações vulneráveis.

A cidade que precisamos tem gestão compartilhada. Ela coordena regras e ações locais (economia, mobilidade, biodiversidade, energia, água, e gestão de resíduos) dentro de uma lógica local compreensível e coerente. Comunidades e bairros são participantes ativos no desenvolvimento das decisões da cidade.

Os papeis e as responsabilidades entre as partes interessadas são claramente definidos e alocados estrategicamente, respeitando-se o princípio de subsidiariedade, ou seja, a tomada de decisões mais próxima possível do cidadão, de maneira justa e buscando uma agenda em comum. Em suma, a cidade que precisamos é socialmente inclusiva, bem planejada, sustentável, resiliente e próspera.

Confira a publicação completa em inglês.[:]

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How we plan, build, and manage our cities now will determine the outcome of our efforts to achieve a sustainable and harmonious development tomorrow. Well- planned cities afford all residents the opportunity to lead safe, healthy, and productive lives. Well-designed cities present nations with major opportunities to promote social inclusion, resilience, and prosperity. With that in mind, ONU Habitat has developed nine principle to the developing of a new urban pardigm. Together, these principle build up the ideia of an ideal city, the city we need:

The city we need is socially inclusive. It provides spaces for all segments and age groups of the population to partake in social and cultural expressions. It eliminates all physical and spatial forms of segregation and exclusion. The city we need is well planned, walkable, and transit-friendly. Schools are within walking or biking distance from homes. Offices are located no farther than a few transit stops away from homes. Shopping for daily necessities is within walking distance of residential buildings and located near transit stops. Open space for recreation is near schools, work, and home.

The city we need is a regenerative city. It is designed to be resilient by being energy efficient, low-carbon, and increasingly reliant on renewable energy sources. It replenishes the resources it consumes and recycles and reuses waste. It uses water, land, and energy in a coordinated manner and in harmony with its surrounding hinterland in support of urban and peri-urban agriculture.

The city we need is economically vibrant and inclusive. It encourages and fosters local economic development from the smallest entrepreneur to the largest corporations. It provides a one-stopshop for streamlined licensing and other administrative services. It recognizes and protects the specific needs of the informal sector of the economy in its economic development policies and strategies.

The city we need has a singular identity and sense of place. It recognizes culture as key to human dignity and to sustainability. It involves cultural actors to unlock the creative potential of all citizens. It strengthens the bonds between city and its surrounding hinterland.

The city we need is a safe city. The city is welcoming night and day, inviting all people to use the streets, parks, and transit without fear. Public officials – the police, the fire department, and health, welfare, transit, and environmental services – and neighborhood residents and community groups communicate frequently and speak with one voice.

The city we need is a healthy city. The city’s parks and gardens are havens of peace and tranquility and harbor local flora and fauna and biodiversity. All public and private entities providing public services (water, waste, energy, transport) work together with the city’s residents and have public and environmental health as a common performance indicator.

The city we need is affordable and equitable. Land, infrastructure, housing, and basic services are planned with low income groups in mind. Public services are planned together with the communities they serve and consciously include the needs of women, youth, and vulnerable populations. The city we need is managed at the metropolitan level.

It coordinates sectoral policies and actions (economy, mobility, biodiversity, energy, water, and waste) within a comprehensive and coherent local framework. Communities and neighborhoods are active participants in metropolitan decision making. Roles and responsibilities between all stakeholders, while respecting the principle of subsidiarity, are clearly defined with resources allocated strategically, justly, and around a common agenda. In sum, the city we need is socially inclusive, well-planned, regenerative and resilient, and prosperous.

For the complete document: http://bit.ly/1LOu46v

You can access the complete document here.

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