Urban Thinkers Campus 2017

Recife | 29 nov a 02 dez

Águas: plenária discute como diferentes camadas afetam a gestão dos recursos hídricos

Por Ângela Valpôrto

Na tarde da última quinta-feira (30) na sede do INCITI/UFPE, o Campus de Pensadores Urbanos chegou a uma das suas fases mais importantes: a plenária. A discussão aberta e coletiva serve de base para o desenvolvimento de um plano de ações para a implantação da Nova Agenda Urbana (NAU), documento aprovado por mais de 170 países que reúne diretrizes para o desenvolvimento de cidades sustentáveis.

Entre os principais pontos discutidos na leitura da primeira versão das propostas estão a transparência de dados institucionais para a comunidade, ações de educação ambiental mais envolventes, criação de políticas públicas escaláveis, melhor gestão dos recursos hídricos e a implementação de projetos de reuso das águas na agricultura.

Um dos problemas apontados como camada primária do problema da má gestão dos recursos hídricos naturais é a falta de informação, que compromete a adesão das pessoas às práticas sustentáveis. É preciso desenvolver estratégias que se aproximem da linguagem e das práticas que fazem parte do dia a dia da população. O primeiro passo para conscientizar é criar canais de comunicação que consigam ir além de informar, que gerem engajamento. Sem a pressão popular, políticas públicas focadas na proteção do meio ambiente não vão acontecer.

Plenária discutiu principais pontos discutidos ao longo da conferência. Foto: Marianne Daffne

Já a segunda camada do processo é a implementação de políticas públicas já existentes. A Lei 12.305/10, de 12 de agosto de 2010, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que prevê a logística reversa. Essa lógica exige que as empresas assumam o retorno dos seus produtos descartados e que se responsabilizem pelo final do ciclo de vida útil dessas embalagens. O processo, caso fosse amplamente implementado, poderia ser um grande aliado da limpeza dos rios do Brasil, que recebem toneladas de lixo descartado incorretamente.

O Brasil, líder do ranking global dos países que dispõem de mais água potável, peca bastante quando o assunto é gestão dos recursos hídricos, outro ponto importantíssimo para a proteção das águas. A criação e a implementação de processos otimizados de captação e distribuição de água são indispensáveis para barrar a seca do sertão e a crise hídrica da cidade de São Paulo, por exemplo. O panorama atual engloba a contaminação dos rios por esgoto não-tratado e lixo, a maioria das moradias não contam com sistemas eficazes de reuso e captação de água. Além disso, a distribuição não prioriza as áreas com mais escassez de recursos hídricos, prejudicando as comunidades mais vulneráveis.

Outro ponto levantado durante a plenária foi a criação de políticas públicas escaláveis para viabilizar o consumo consciente da água pela indústria e pelo agronegócio. Os dados da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) exemplificam muito bem a urgência dessa pauta: a cada 100 litros de água tratada utilizadas no Brasil, 72 são encaminhadas para o agronegócio. Em um país onde, de acordo com o Instituto Trata Brasil, mais de 35 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada, é de extrema importância que fatia do agronegócio diminua consideravelmente.

A transparência e a participação das comunidades é indispensável para a construção de cidades cada vez mais sustentáveis e cuidadosas com as águas, o elixir da vida. Por isso, a partir do dia 21 de dezembro, o plano de ações desenvolvido durante o Campus de Pensadores Urbanos estarão disponíveis para consulta pública no site inciti.org/aguas com o objetivo de engajar e conscientizar a população sobre a urgência de cuidar melhor das nossas águas.

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